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Psicóloga cria podcast para ajudar estrangeiros a se adaptar em novos países e moradora de Samambaia é beneficiada

Há quatro anos, nem passava pela cabeça de Flávia Batista da Silva sair do Brasil. Natural de Samambaia, no Distrito Federal, a jovem de 26 anos diz que acreditava ser muito distante da sua realidade morar ou estudar no exterior.

“Por ser da periferia, estudante de escola pública e não ter condições de arcar um estudo fora, nunca foi meu plano A”, diz Flávia.

Atualmente, Flávia cursa o segundo ano de doutorado em ciência política na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. A oportunidade surgiu quando um de seus professores a alertou sobre uma bolsa de estudos para mestrado e doutorado.

Na época, ela era estudante da Universidade de Brasília (UnB). Flávia diz que a parte mais difícil de todo o processo foi, além do choque cultural, ficar longe da família.

“Tem dias que é mais fácil, tem dias que é mais difícil. Uma coisa que eu percebi quando vim morar fora é a importância de você ter uma comunidade, amigos. É difícil no primeiro momento, porque é uma cultura mais fria, uma cultura mais individualista”, conta a migrante.

A psicóloga Bárbara Andrade explica que muitos brasileiros que chegam a um país estrangeiro, principalmente mulheres e crianças, se sentem fragilizados e podem sofrer de depressão, ansiedade ou outras doenças emocionais. Pensando nisso, ela criou o podcast ‘Ponto de Partida‘, para que pessoas como Flávia possam compartilhar suas histórias e encontrar refúgio junto a outros migrantes.

O programa vai ao ar toda quarta-feira, às 10h no horário de Brasília, e é transmitido pelas principais plataformas de áudio.

“É um espaço em que eles podem falar sobre as vivências de maneira muito descontraída, muito aberta para falar da experiência de cada um, e para a gente se acolher”, diz Bárbara.

A psicóloga explica que a ferramenta faz parte de um projeto multidisciplinar. Além da escuta ativa por meio do podcast, ela também oferece consultas psicológicas individuais e assistência jurídica para migrantes, com a ajuda de duas advogadas.

“Essa transição [de um país para outro] envolve uma série de variáveis que vão afetar a saúde psíquica do migrante. […] Quando a gente começa a estudar tudo isso, vemos nas nuances a quantidade de coisas que acontecem nesse caminho e a série de adaptações e choque culturais que essas pessoas acabam sendo expostas”, diz a psicóloga.

Flávia é uma das participantes que o podcast “Ponto de Partida” já ouviu. Ela diz que falar sobre sua experiência a ajudou a entender os próprios sentimentos.

Além disso, ela conta, poder servir de referência para outras pessoas que também querem viver fora do Brasil, traz o sentimento de gratidão. “É muito importante desmistificar essa romantização que há do intercâmbio, do estudo fora, porque não é fácil. Tem muitos desafios e as pessoas precisam saber que, por trás das fotos que a gente só mostra nas redes sociais, que a gente quer que as pessoas vejam, existem muitos problemas”, ressalta a estudante.

“Tem que se vestir de coragem para morar em outro país. Você está vivendo um sonho, mas ao mesmo tempo, está abrindo mão de coisas muito importantes”, diz Flávia.

Apesar das dificuldades, porém, Flávia diz que ir para fora do Brasil é uma experiência única e que vale a pena ser vivida. Os amigos que fez pelo caminho, hoje, são parte essencial de sua vida.

“Os amigos que eu fiz são a minha família aqui, essa é a base que você tem que construir no seu novo local. […] É o que faz as coisas valerem a pena, porque são as pessoas que vão estar ali com você crescendo, comemorando e ficando triste junto. Quando eu vim para cá eu entendi a importância de se ter amigos e fazer conexões quando você está fora”, conta a estudante.

Para a psicóloga Bárbara Andrade, o cuidado e o apoio àqueles que estão em mobilidade é essencial.

“Escutar quem migra me ensinou sobre coragem, resiliência, reinvenção e sobre a urgência do cuidado. É impagável perceber o desenvolvimento que os pacientes alcançam o quanto podem ocupar lugares com mais autonomia e significado”, diz a psicóloga.

O primeiro grupo de atendimento jurídico e acolhimento psicossocial para migrantes tem previsão para início no segundo semestre de 2023. Para mais informações, basta entrar em contato por meio do e-mail: [email protected].

Fonte G1DF

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